Você realmente é livre?


Certa vez, uma amiga me disse que faria algo porque era livre. Sorri, mas dentro de mim cresceu uma inquietação: que liberdade é essa de que falamos? A palavra parece grandiosa, mas na prática não passa de uma miragem. Trabalhamos para garantir o mínimo de dignidade, e ainda assim nos tornamos prisioneiros da publicidade, comprando o que não precisamos, desejando o que não nos pertence. Que liberdade é essa em que trocamos tempo e saúde por moedas que mal sustentam nossos dias? Chamamos de conforto aquilo que nos concede quinze dias de férias pagos com doze meses de sacrifício.

E então me pergunto: será que ser livre é viver como os animais silvestres, cuja existência se resume a comer e procriar? Se assim fosse, o homem verdadeiramente livre teria de renunciar ao pensamento, ao raciocínio lógico, à criatividade, tornando-se apenas um ser que respira, bebe e se reproduz. Pois, segundo as leis da natureza, isso seria liberdade: a vida reduzida ao instinto.

No entanto, essa conclusão é amarga. Pois se a liberdade significa abdicar da inteligência e do pensamento racional, então o preço da liberdade é a própria humanidade. E talvez seja por isso que, ao proclamarmos que somos livres, apenas repetimos uma ilusão, uma palavra vazia que encobre a realidade de nossa servidão cotidiana.

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